quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dia do Homem

A maioria não sabe mas, hoje, 15 de Julho, é o Dia do Homem. A data só foi lembrada por poucos e porque os comerciantes resolveram divulgar, de olho, claro, no faturamento pela venda de presentes.

O Dia da Mulher é amplamente divulgado e comemorado no Brasil no dia 08 de março. Para as mulheres, a criação da data é motivo para os mais variados debates sobre, principalmente, a emancipação da mulher. Mas, e o Dia do Homem? Qual seria o debate apropriado para este dia?

Bem, faz tempo que sou favorável a uma reflexão sobre o papel do homem em nossa sociedade. Acostumados a mandar, a deter o poder, os homens não conseguiram acompanhar, com a mesma velocidade, as conquistas e as mudanças de comportamento das mulheres. Elas, em poucas décadas, conquistaram o direito ao voto, são maioria nas universidades, fazem carreira e, cada vez mais, ocupam as vagas tradicionalmente masculinas no mercado de trabalho.


Enquanto isso, os homens continuam inspirados pela grande mídia a manter a fama de machão, consumindo mulheres, bebidas e carros envenenados. Outra corrente prega na mídia a suavização dessa masculinidade, o chamado homem metrossexual, um tipo visto ainda com muito preconceito. O homem metrossexual se veste na moda, faz depilação, dieta, cuida da pele e das unhas... e é heterossexual.

David Beckham: símbolo do 
homem metrossexual

As mulheres contribuem muito para a confusão dos homens. Elas mesmas não sabem mais o que querem deles. Em tempos em que elas garantem o próprio sustento e em que aparatos e inovações nas embalagens dispensam a força física, muitas mulheres me perguntam: pra que eu preciso de um homem?

O livro “Por que os homens são assim?”, de Steve Biddulph, faz uma análise muito interessante da pressão sofrida pelos homens na sociedade atual. O autor publica estatísticas que nos fazem pensar:
  • os homens são maioria nos presídios; em torno de 90%;
  • os homens também estão disparados nas estatísticas por morte violenta, seja por assassinato ou por acidentes de trânsito;
  • eles também são as maiores vítimas dos vícios, tanto em drogas como em álcool;
  • pra finalizar, eles morrem mais cedo.

    Os números são um alerta que nos ajudam a compreender o comportamento masculino. É como se eles vivessem a ponto de estourar. A cultura de que “homem que é homem não chora” e que “discutir a relação é coisa de mulher” os impede de resolver conflitos existenciais, naturais a todo ser humano, e de dar vazão à pressão sofrida no dia a dia.

As conquistas das mulheres continuam, por isso, chegou a hora de olhar o companheiro de forma diferente: compreender e apoiar esse homem que também quer ser feliz, mas que ainda não entendeu que terá que lutar por esse direito.

Fica a sugestão de debate para este “Dia do Homem”. 
Que seja bem aproveitado.

Um comentário:

  1. Miriam
    Sensacional. Adorei seu texto. Dia do Homem, acho que nós também merecemos como as nossas adoráveis mulheres já tem.
    Um debate sempre é importante. O homem em geral precisa mudar muitas coisas em relação ao seu modo de agir, por isso essas estáticas nada favoráveis.
    Mas sempre é bom salientar que se o homem age da forma "machão" insensível, e bebedeiras, mulheres, é porque sempre existe aquelas que assim preferem. Ou seja homens desse tipo, o que é lamentável. Mas este relato você relata muito bem no texto.
    Adalberto Day/cientista social e pesquisador da história

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